quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O THE END FINAL, RETALHOS

Agora que já não enfrento pressões do Dr. Ênio, posso divagar do jeito que eu bem entender. Vou contar dos meus gostos, desgostos, das dificuldades, dos medos e das conquistas. Tantas coisas que comigo carrego, a mexer o tempo todo com meus pensamentos e lembranças. Minha primeira lembrança vem agora com muita força me transportando para a pré infância, me fazendo lembrar da preocupação de minha família com o meu silêncio. Demorei muito a falar, mais ainda engatinhar, muito tempo até abandonar o bico e por último uma eternidade até começar andar.  Passado algum tempo, novas dificuldades, pois foi impossível conseguir o equilíbrio para acompanhar os amiguinhos a andar pela cidade de bicicleta. A solução foi contratar um auxiliar a pedalar para mim enquanto em andava no banco de trás, na carona. Muitos passeios pela cidade que no começo encantava, até encher me obrigando a exigir rotas mais ousadas de meu motorista alargando meus caminhos até São Sepé pela manhã, retornando e subindo até Julio de Castilhos, a tarde. A noite eu deixava ele descansar, pois meu coração mole não sabia ser rigoroso com meu auxiliar. Cresci e tive dificuldades de adaptação na creche. Minha mãe comentava com meus parentes que era muito puxado o ensino do maternal, por isso meu atraso em relação aos colegas. Muito tempo depois fui aprovado e conduzido, com auxilio de queridas professoras, para o ensino primário. Nessa fase, tudo ficou muito mais difícil. Atingir os elevadíssimo níveis do conteúdo era sacrifício quase intransponível. Como aprender a ler textos do tipo o "rato roeu a roupa do rei" se já naquela época eu era do PC do B, não admitia a monarquia e tinha pavor de ratos. Trauma na certa e muitas despesas com seções de terapia. Descobri mais tarde que minha psiquiatra enlouqueceu pensando ser a Princesa Isabel e se odiando por isso, pois também foi convencida por mim que a monarquia aumentava a celulite. Na matemática sempre fui um fracasso, pois nunca me convenceram que os números são infinitos. Para mim se amor, amizade, fome, saudade poderiam ter fim, como somente os números eram infinitos. Mais terapia e outra terapeuta enlouquecida. Desta vez por insistência de que as seções deveriam ter duração infinita tal qual os números. Passei a morar no consultório dela e ela no Hospital Psiquiátrico. E segui meu tortuoso caminho até chegar as portas da faculdade. Muito estudo para o Vestibular. Tempo perdido e muito dinheiro investido em cursinhos. Ano inteiro entregue ao dever, sem intervalos para descanso, apenas ler, decorar e fazer longos exercícios de matemática e física, até que, na véspera, o gabarito me foi entregue com todas as questões já resolvidas. Se o mundo aí fora resolve todos os meus problemas, porque sofrer tanto aqui dentro, em meu minúsculo cubículo de estudos. Nem preciso dizer, que acrescentei em minha vida outros longos anos de tratamento terapêutico. Alias estou pensando em tirar Medicina, Especialização Psiquiatria e poupar muito dinheiro novíssima técnica de Autotratamento Psquicossomático Envolvente e derrubar todas as tese de meu patrício Sigmund Freud. Nas dificuldades de conseguir bons trabalhos hoje em dia como engenheiro, aceito trabalhar em turno único, como Médico e ganhar uns trocados com plantões. Possuo diploma parcial, pois conheci uma velha que tinha um sobrinha que havia feito curso de primeiros socorros a distância pelo face book. Então estou dentro. E acredito que tem validade para trabalhar como Médico e ainda ajudar nosso país a economizar com importação desses profissionais. Mas mesmo tendo aptidões para a nobre profissão de Sócrates, foi na Engenharia que perdi todo o meu precioso tempo na universidade. Superado a ressaca pelo impedimento de minha matrícula na faculdade, apenas porque anularam o concurso do vestibular, muito tive de contratar bons profissionais da área tecnológica para primeiramente ingressar na faculdade e finalmente encaminhar minha formatura. Muito tive que imprimir cédulas falsas de dinheiro para pagar esses competentes engenheiros físicos e matemáticos. Mas finalmente cá estou, gozando de boa saúde, apenas um pouco debilitado pelo Alzheimer, e também trêmulo pelo Parkinson. Também apareceu recentemente um pequeno câncer de próstata, labirintite, um leve AVC e uma pneumonia simples, que felizmente não foi dupla. Mas não vão ser esses pequenos detalhes que impedirão minha presença em nosso grande reencontro. Talvez eu vá precisar de pequena ajuda, mas irei. Refiro a perda da visão, e a paralisia das pernas que me impedem de andar. O resto, vamos nos divertir, e põe a música mais alta que estou surdo.

MAS QUE BARBARIDADE!!!!!!!!

Jacob Chamis

DOSQUIETOS

“TUDO ISTO ACONTECENDO E EU AQUI NA PRAÇA DANDO MILHO AOS POMBOS”
CAROS COLEGAS DO MARIA ROCHA E DA EXTENSÃO IMA.
Quando aumenta a ansiedade o tempo custa a passar – para. Até parece que estou contanto as horas para ir ao aniversário dos 15 anos da Chris. (mais ou menos na época da baliza da banda não?), tanto que um dos “quietos” resolveu se manifestar antes, evidentemente, do encontro. Encontro este – grande acontecimento dos antigos da cidade – que por enquanto é apenas um sonho, um grande sonho, e imaginação que passará a ser realidade a partir de sábado, da ressaca (moral) de domingo, voltando a ser sonho na segunda, se tornando em mais assunto para as brilhantes crônicas do Jacobo. Esta minha ansiedade seria mais bem digerida se os encontros fossem mais frequentes; 40 anos é demais, haja coração para mais tanto. Neste tempo imensurável de sonho e de correspondência a-temporal –falta presença física dos interlocutores -, alguns relatos chamaram minha atenção:
- A explicitação de sentimentos, tidos antigamente como nobres, tais como saudade, amor e amizade foram referencias em todas as manifestações, inclusive de alguns “tímidos”. Expressões que precisaram de 40 anos e da invenção do computador para serem manifestadas;
- A sadia “rebeldia” da juventude “sem causa”. Aliás, entre tantas constatações desta rebeldia uma foi genial – os principais organizadores do evento, não vou indica-los para não criar constrangimentos, pelo que verifiquei o não tinham feito o pgto. relativo as despesas com o festerê – genial hem! Juntar dinheiro para os churras e de quebra comprar cerveja ...., bem me lembro.
- Aliás, o simples esquecimento da “carteirinha, comprovante de matrícula, boletim” e o que mais se tinha em mente para ser apresentada é mais uma comprovação da expressão/lema da turma - “se acata pero no se cumpre”. Pena que me livraram desta, seria um bafafá.
- Também, só que mais como ato de inteligência de rebeldia foi mandado para a berlinda aquela história da “beleza madura”. Ora turma, não me considero fruta para ficar maduro. Fruta é que fica madura, caí do pé, apodrece e os vermes a comem. Com certeza, e as correspondências assim atestam, somos os verdadeiros “spoudaios”, ou seja, homens verdadeiramente adultos.
Para refletir um trecho da poesia de Maria de Andrade, cujo título me esqueci, este alemão sempre fazendo das suas.
“SÓ HÁ QUE CAMINHAR PERTO DE
COISAS E PESSOAS DE VERDADE 
O ESSENCIAL FAZ A VIDA VALER APENA  
E PARA MIM, BASTA O ESSENCIAL”

Nabor Ribeiro

15 anos da Chris


Aaaaaaaahhhhhhhhh!!!!!  Não acredito!!!
Como boa Mônica que sou, ou que me tornei, eu já estava preparando meu Coelho Azul para dar na sua cara caso você não se manifestasse!!!!  
Demorou, mas arrasou!!!
Agora fui obrigada a tirar as fotos dos meus 15 anos do baú!!!
Vão abaixo 4 fotos: turma dos meninos (com Nabor na ponta direita em uma das fotos) e turma das meninas.
Divirtam-se e não me peçam para identificar as pessoas.

Se achem!
Bjs. Chris
 
 
 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

CIUMES DE VOCÊS, É O FIM

A vida é feita de sentimentos e emoções, a começar pelo amor, sentimento nobre, complexo, indispensável e construtivo. A afeição, sentimento de apreço, consideração, respeito e estima. A paixão é fascinação, atração, arrebatamento, fascínio, êxtase constante, chama a queimar e explosivo delírio. A amizade, cumplicidade extrema, grande camaradagem e muita fidelidade. Existem tantos outros bons sentimentos que na vida nunca podem faltar. E finalmente o ciúme, e é dele que agora escrevo e descrevo sobre todos os seus desdobramentos.

Junto com o ciúme sempre vem a lhe fazer companhia, a admiração, pois, a ser nobre, não pode nunca nem jamais ser comparado a inveja. Este um sentimento baixo, destruidor, corrosivo, covarde, depressivo e altamente perigoso, por invariavelmente levar a inescrupulosa vontade de que o outro perca o que a inveja obriga querer. O ciúme, ao contrário, é puro anseio, é muito querer, é o apreço por algo que alguém possui, é incentivador, alimenta desejos impulsiona o crescimento interior criando aspiração e vontade  de também possuir o que causou esse sentimento. É querer conquistar aquilo que o ciúme faz desejar. E pelo bom ciúme, a estimular anseios, passo a compartilhar os meus profundos e consagrados segredos.

E aí vão alguns desses ciúmes que, ao longo de minha doce vida, sempre me acompanharam. E já começo pela cadeira de rodas do Chico Cóser, perna fraturada, que a ganhar carinho e atenção, despertou uma vontade de pelo menos ter furúnculo no joelho para, sentado em cadeira igual a sua, ser também tão bem cuidado. E do Marcelo Cóser, e seus irmão, o que dizer das magníficas viagens no confortável ônibus do Expresso Medianeira, Linhais, digo Linha12, a deslizar suavemente até o Patronato, no fim de cada dia de aula. Imaginava que ao ir para casa a pé, morando tão perto do Maria Rocha, jamais desbravaria novos caminhos como eles assim faziam. O mesmo acontecia com o Marco Siqueira e o Luis Fernando Ribeiro que, melhor que os Cóser, também iam longe a desbravar Santa Maria, porém a lhes servir de chofer particular tinham uma das mais queridas professoras do colégio. Era o limite supremo do intolerável. E do Rui Alberto, tendo sua grandiosa mãe a mira-lo com seu meigo olhar, na hora do recreio, a verificar se nada faltava na merendeira de seu querido rebento. E do Asdrubal, menos conhecido por Kimura, o bonito, que com sua bossa arrancava suspiros das raparigas por onde passava e ainda era o protegido da professora Gláucia. Do João Luis e José João, ambos Appel Mattos, por serem irmãos que, juntamente com o João Cacaio, moravam em um edifício que tinha elevador. Imagina ir para casa, que ficava nas alturas, e ser içado por veículo de tecnologia tão avançada. Ainda bem que eu não tinha colega que morava no Ed. Taperinha, senão era suicídio anunciado. Do Kida, do Norberto e do Carlos Fox Eugênio, muito ciúmes pelo fato de terem lindas irmãs, pois por serem da mesma linhagem já teriam garantida a beleza eterna e ainda ficavam sabendo, pelas irmãs, o que suas amigas deles pensavam. E do Claudio Roth que por ser filho do Ives, distribuidor da Brahma, a sempre ter cerveja gelada em casa. Do Gilberto, o Lang, pelo fato de ter irmão mais velho, o que era eterna segurança em qualquer emergência, além de ter a melhor mãe, que para mim muito carinho dispensava. Do Ênio, esse sim era ciúmes ao cubo, pois além dos irmãos mais velhos e das belas irmãs, sua família era proprietária de enorme panificadora, garantia total do pão nosso de cada dia sempre novo e quentinho. Do Vollino, por sua Fubica tão versátil e linda a nos levar do mundo de Disney, tipo carro do Pato Donald, a época de Al Capone, tipo carro de gangster. Dois universos em apenas um veículo. Do Doval, Pasquotto, Aroldo, Santini, Luis Mauricio e Ricardo Reis, pelo grande apetite pelos estudos a passar tardes e noites enfiados nos livros, brilhante programa, que eu não conseguia aproveitar, por sempre aprender mais rápido que eles. Que vontade de ter vontade de viver estudando. Mas Deus não me deu essa dádiva. Do Gerry Casca Corino que tinha policial na família, garantia extra de liberdade, e uma grande estofaria a lhe proporcionar sofás constantemente reformados, em sua casa, diferente dos meus, sempre a consertar. Do Euclésio, vulgo Piá, vindo do interior, podendo passar férias em Sobradinho, lindo lugar, e eu na cidade grande, Santa Maria. Do Papandreus e seu casacão de urso, usado como armário embutido que nele sempre o que precisasse encontrava em uma das prateleiras, digo, bolsos. Do Jorge Petry e do Marcos Edward, o Pitoco , que por serem menores, mais próximos do piso, sempre encontravam moedas perdidas no chão. Do Werberich, Verney, Merten e Caturra, pelo contrário, com boa estatura, sempre enxergavam mais longe. Do Flávio Jesus Rodrigues, ciúmes extra por carregar o Senhor no próprio nome, garantia de salvo conduto na Santa Sé. Do Paulo Fração pelo respeito que seu sobrenome causava nas aulas de matemática, pois já vinha acompanhado de numerador e denominador. Do Aldo Grassi, Nabor, Mario Grassi e Plínio Silveira, por sua falta de peso que tão elegantemente cabiam em roupas da seção infantil, sem nenhuma gordura excedente. Do Ayrton Schneider que desde a tenra idade já usava gírias tipo “cara” a frente do seu tempo. Do Lucio Binato, por tocar em conjunto musical, mesmo desafinado e do Clóvis Menezes pertencente a outro conjunto, lá por Santa Cruz do Sul, a embalar a Oktoberfest e ganhar chopp grátis, embora a condição fosse cessar de tocar.   
Mas em especial, por ser totalmente arrebatador, meu maior sentimento de ciúmes era dos vestidos de todas as meninas colegas, belas, charmosas e sensuais, que a roçar em seus lindos corpos, balançando com qualquer brisa, as tocavam carinhosamente o tempo todo, a cada movimento, escondendo apenas para si, seus lindos e insinuantes contornos.

Mas descubro que, mesmo sem saber, naquela época, era de mim que todos muito ciúmes sentiam, pois jamais, em tempo algum, alguém tanta amizade, respeito, carinho e admiração a tantos soube dar. Também pelo meu jeito simpático, por ser bonitinho e pelo excesso de charme, desde o berço a carregar no próprio sobrenome, Charmis, inteligente, forte, musculoso, atencioso, comedido e tantos outros atributos que me cansaria enumera-los e caberiam em um livro. (mas que sucesso).

E que se calem os covardes e entreguem aos loucos de ideias o controle do mundo. QUE BARBARIDADE!!!!!! 
Jacob Chamis

terça-feira, 1 de outubro de 2013

SAPATO NOVO

Nota: histórias coletivas sem nomes para evitar esquecimentos. O valor está na recordação dessas passagens. Não fornecemos óculos, mas a história é em 3D.(patrocínio Vassouras Bruxa Dourada, presente inesquecível para sua mulher que sairá voando numa delas). 

SAPATO NOVO
Ter muitas roupas naquela época era coisa de príncipe herdeiro, tipo Charles da Inglaterra. Sapatos eram muito mais caros. O normal era um par para escola, tênis para esporte, sapato de domingo e os mais afortunados, pantufa de pelúcia. Esta última, mesmo sendo artigo para frescos, era muito confortável e quentinha. Eu sei pois roubei as de minha avó e a coitadinha entre gripes e resfriados morreu de pneumonia simples. Podia ter sido pior, pois a pneumonia dupla era muito mais grave. Mas enfim, como recordação, as pantufas até hoje carrego comigo na praia, serra ou campanha. Mas volto ao assunto, pois divagando, desviei-me do tema principal, os calçados.
Eram os sapatos do colégio, instrumentos inicialmente projetados para apenas andar, que maravilhosamente serviam para jogar futebol. E que jogo! Antes do inicio das aulas, ali na Praça Saturnino de Brito a apenas uma quadra do Maria Rocha, entre brilhantes e vagabundos alunos, todos ficavam a jogar bola com seus lindos e únicos sapatos que eram parte integrante do uniforme escolar. Quando alguém aparecia de sapato novo era batismo seguido de pisão com a sonora frase, "padrinho e madrinha". Coitado que rapidamente já não tinha mais um impecável e lindo calçado, pois entre 10 estrelas do colégio, 9 batizavam seus pisantes. Mas voltemos ao jogo, que era constituído de 2 times, 5 para cada lado e um único e solitário goleiro. Era assim pois a quadra de apenas 2 metros por 3 metros não comportaria 2 goleiras que até nem existiam. A tela da pracinha servia de goleira e a rua, continuação da quadra, muitas vezes era parte integrante do jogo. Quando a disputa ficava muito acirrada, o trânsito era interrompido e o bochincho se deslocava para a calçada oposta ou as vezes descia a Duque de Caxias rumo a destino incerto. E os pobres dos sapatos eram em poucos jogos totalmente destruídos. E por castigo com os mesmos ficávamos por um bom tempo até que, em alguma data festiva, fossemos presenteados com um novo par de um Vulcabrás, ou sete Léguas qualquer. O problema era ficar por longo tempo com o que já estava totalmente destruído. Inclusive tínhamos colegas que pintavam todos os dedos dos pés de preto, pois o sapato nem bico mais possui depois de tantas partidas de futebol, antes da aula. O asfalto era cruel e devorava nossos sapatos. Durante os jogos, os que ficavam de fora, os reservas, subiam nos bancos da praça e de ouvidos atentos a ouvir a sineta, gritavam para o final do jogo que a aula já iria começar. Em disparada iniciávamos o deslocamento, apressados, em direção ao Maria Rocha em busca de nossos lugares na sala aula, onde invariavelmente chegávamos atrasados. E a camisa sempre desabotoada, o cabelo em desalinho, as calças semi arremangadas e os sapatos, coitados, sempre liquidados. A recomposição somente lá pela metade do 2º período. Alguns mais "Don Juan" carregavam na pasta um potinho de fixador capilar, vulgo "Gumex" para, ao colocar no cabelo, se apresentarem mais sexy caso alguma situação exigisse. E era muito engraçado olhar aqueles cabelos lambidos parecendo a ponta de uma vassoura de piaçava. Outro problema era fazer o coração retroceder a pulsações normais e regulares, pois no momento da brusca parada para sentar a cadeira da sala, o batimento já havia atingido a 200/min. Nem a mão conseguia segurar a caneta e a tremer, saltava para a classe do vizinho. Mas isso era no verão, pois no inverno, graças a pequenas e regulares doses de cachaça, no bar da esquina, o pulso facilmente ficava firme, dando a impressão que o batimento era normal e as aulas doces e saborosos saraus, onde todos eram bons companheiros de mesas individuais de um bar qualquer e as moças doces donzelas aguardando serem tiradas para a próxima dança. Mas que borracheira. 
MAS QUE BARBARIDADE!!!! 
Jacob Chamis

PEGADAS DO PASSADO

Nota: hoje acordei um pouco melancólico, e a pensar na vida com tanta coisa a ser dita, algo precisou sair. E é o que mando:
PEGADAS DO PASSADO
Parece não ter fim tantas doces lembranças que brotam em turbilhão lá do fundo do sótão de minha imaginação. Sem poder nunca parar, as palavras surgem a completar frases como se fossem jogos de quebra cabeça. E sobre tantos muito eu teria a dizer. Das alegrias, do companheirismo, da amizade, da cumplicidade, enfim da louca aventura que me fez atravessar doces e perigosos momentos a trilhar minha muito intensa e confusa juventude. E o medo a brotar e a insegurança a acompanhar, nada disso terminaria bem se não tivessem existido tantos ombros amigos a servirem de alicerces ou colos para meus mais profundos devaneios e divagações. Tantas dúvidas foram sanadas apenas por eu nunca ter me sentido sozinho ou desamparado. Na companhia de quem junto comigo sentia os mesmos medos e tinha as mesmas dúvidas, muitos tortuosos caminhos percorri. Parece que cada um é único ,e na verdade até poderiam ser, mas em coletividade tudo em todos mesma coisa se parece, nada é exclusivo, pois os mesmo problemas diferentes são resolvidos por iguais soluções. Quem nunca temeu a solidão, o abandono ou a rejeição. Quem nunca viveu a felicidade de um novo amor, o prazer do dever cumprido ou a simples alegria de um beijo roubado. A transposição dos obstáculo que ao longo da trajetória foram surgindo, trouxe a cada um a força necessária para prosseguir nessa louca e indefinida jornada. A viver tropegamente embebidos em alegrias, ou a se levantar a partir de um novo tombo, todos sabemos o que vale a força de uma mão ou o sabor de um abraço amigo. Medo, muito medo por não enxergar saídas para os problemas inerentes ao momento vivenciado. E mesmo amedrontados, era a juventude a fase mais imortal de nossas vidas e é nesse percurso, sem saber onde chegar, que tudo parecia infinito, mesmo se mostrando limitado e obscuro. E se agora faço brotar minhas coisas, meus receios e minhas incertezas passadas, nem preciso dizer que todos, sem nenhuma honrosa exceção, viveram exatamente o que vivi e superaram usando os mesmo artifícios que usei, pois soluções coletivas ultrapassaram problemas e obstáculos que em nós pareciam tão únicos e desgraçadamente íntimos. Isso tudo comprova que a intensa e forte convivência é determinante e fundamental quando a qualidade do grupo é exponencialmente superior. Na energia da presença, no equilíbrio da coexistência e na explosão da comunhão, dessa comunidade de amigos, os mais sensíveis corações e os mais iluminados cérebros foram formados e lançados com tal potência em direção ao futuro que em algum lugar do planeta alguma lição e ensinamento certamente estarão passando. E apenas por serem assim, sem se preocupar consigo, apenas pela maneira que foram educados estão contribuindo para um mundo um pouco melhor. E do meu orgulho, da minha gratidão, digo com palavras o que estou sentindo no coração. Abençoados sejam os jovens de ontem adultos incríveis de hoje.
Um beijo eterno.
Jacob Chamis

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A CORNETA DA BANDA

Nem sei como, mas durante algum período uma corneta emprestada da nossa Banda circulava de mão em mão a fazer barulho por todos os cantos da cidade de Santa Maria. E de sons em sons, todos os habitantes deste acolhedor lugar, passaram a se perguntar de onde vinha aquele estranho barulho que, sem nenhuma apresentação de bandas ou orquestras, a ocorrer pelas redondezas, sempre ecoava de onde menos se esperava. E assim foi até que em um belo dia esse estupendo instrumento de sopro caiu nas mão de um grupo seleto de amigos do colégio, que resolveram guardar num apartamento do Edifício Centenário, lá na Rua do Acampamento, morada de nosso valoroso Asdrubal, menos conhecido por Kimura. Por ser moradia de seu querido pai e serem somente os dois a habitarem o imóvel, sempre nas longas manhãs, e nos finais da tarde, o apartamento estava inteiro ao nosso dispor, ou seja, nenhuma repressão a vista. E era o lindo toque estridente da corneta, lá de cima do edifício, a azucrinar quem quer que por essas bandas estivesse passando. E a melhorar tudo, e aumentar o número de vítimas, na frente da janela de um dos quartos, com bela vista para a Rua José Bonifácio, uma importante parada de ônibus a aglomerar pessoas que em busca de transporte aguardavam pacientemente seu ônibus. Era parada de ônibus daquelas que juntava um bom número de pessoas. E daí o inicio despretensioso da inocente brincadeira, um sopro forte, um ruído alto e estridente, a marcar com sons aquele lado da cidade. Ocorre então que ao soar o toque da corneta, todos nessa parada de ônibus abandonando o estado zumbi, situação normal em locais desse tipo se voltaram espantados para todos os lados, menos para o local de onde partia o som. E tudo ficou melhor, quando, persiana baixa, corneteiro agachado e os demais observando escondidos, a ordem de soar o estridente instrumento, a causar grande susto e o espanto, passa a tomar conta de todos os pacatos e silenciosos cidadãos que em pé ficavam a aguardar o coletivo que iria devolve-los a suas casas ou trabalho dependendo do destino desejado. E era maravilhoso, pois bastava o sopro, o som, o susto, a observação e todos a se jogar na cama daquele quarto, sentindo falta de ar e dor no peito de tanto dar gargalhadas e, rolando pelo chão, caiam da cama por não conseguir permanecer imóveis, com o corpo a se sacudir sem parar. E assim tudo ia se sucedendo até o momento que a parada ficava deserta, no intervalo de minutos, quando todos embarcavam e ninguém ainda tinha chegado para o próximo embarque. E num determinado momento, um belo casal de ardentes namorados se aproximou da parada. Frisson total com o que poderia acontecer. Todos a postos a aguardar novos movimentos e instruções para o inicio de novos toques a ser produzido pela mágica corneta. O rapaz, olhando para os lados, parecendo ter más intenções de conduzir a inocente moça para caminhos tenebrosos, nos fez temer pelo destino da pureza da inocente. Final de tarde, crepúsculo se aproximando, romantismo no ar e um cantinho apropriado para uns "amassos", um pouco afastado do abrigo da parada, e a troca desejosa de olhares eram motivos suficientes para grande apreensão. Não podemos ficar inertes. Caso fosse filha de algum de nós, era obrigação conserva-la virgem até a subida nos degraus do altar na igreja. E assim seria. Uma mão boba tocando ali, um toque estridente da corneta, o olhar amedrontado do rapaz, e a recomposição da postura da moça. Passado algum tempo, silencio total, ambiente novamente propício e como peixe a fisgar uma isca, esperávamos manobra mais ousada que a anterior. E quando os lábios iriam encontrar outros lábios, pois a mão há muito quase tudo já havia vasculhado, novamente o som e desta vez mais forte. Espanto maior, susto geral, o ar a faltar lá das alturas daquela janela que, entre saltos e pulos, com o corpo quase explodindo a segurar o som abafado das risadas que podiam ser ouvidas lá na Praça Saldanha Marinho. Mais uma tentativa, e desta vez consideramos demasiada ousadia e nem permitimos aproximação ao lado do pescoço semi virgem da rapariga. Mil sopros a emitir sons fortíssimos daquela corneta. Vendo que o fracasso era absolutamente certo e o sossego jamais iria nesse encontro reinar, desgostoso, frustrado e totalmente impotente o pobre rapaz desiludido da vida despediu-se da moça e cabisbaixo entrou no coletivo para nunca mais naquela parada tentar qualquer abuso que se caracterizasse atentado violento ao pudor. E os componentes valorosos do Grupo pela Moral e Virgindade Alheia, O GMVA, a partir daquela data nunca mais se afastou do nobre instrumento que garantiu, por bom tempo, a manutenção da virgindade nas relações, até a hora do sagrado enlace do matrimônio. Passamos a ser financiados por pais desconfiados do comportamentos de suas não muito santas filhas. Em reunião da diretoria do GMVA, foi deliberado se caso a moça necessitasse ou quisesse algum treinamento, para não fazer feio na lua de mel, os “membros” da diretoria poderiam ajuda-la. E quanto ao rapaz da parada, parece que toda a vez que ouve o toque de instrumento de sopro ele ingere 2 comprimidos de Viagra para evitar qualquer recaída de seu “instrumento” causada pela lembrança de trágico encontro. 
MAS QUE DISFUNÇÃO ERÉTIL!!! MAS QUE BARBARIDADE!!!!
Jacob Chamis

BELAS TARDES ESCOLARES

Se as aulas começavam as 13 horas, porque chegar antes. Antecipar, jamais, atrasar, sempre. Era de enlouquecer entrar no colégio após o momento da batida,( o usual entrar atrasado, depois de ouvir, "já bateu, vamos entrar"), e encontrar vários já sentados aguardando o inicio do calvário. Isso era loucura, é como gado a aguardar feliz a hora do abate. Perdão, mas era inadmissível. Quem fez isso tem que se reciclar agora. E o que dizer dos assuntos urgentíssimo que surgiam quando a ordem era calar. Não tinha como adiar. Dizer depois perderia o sentido. Tinha que ser naquele momento, e valia arriscar. E qualquer ruído, tosse ou bocejo era certamente explosão de risos. Tudo era muito intenso, era a gargalhada na ponta da língua, nunca a lição, mas sempre o riso querendo irromper de dentro de nós. E pedir para ir ao banheiro? Feliz de quem tinha o intestino solto e podia visitar o paraíso a todo o instante. E qual professora arriscaria impedir? Já houve casos de alunos trazerem de casa atestados médicos solicitando visitas ao sanitário de hora em hora. Que inveja, poder sair da sala de torturas e sentar feliz no trono sagrado a perder por baixo o que em lindos pensamentos entrava por cima. Quem me dera ter diarreias diárias para viver livre entre cadeiras e vasos sanitários. E dos grampos encaixados entre madeiras embaixo das classes a fazer sons clássicos ou gregorianos, a embalar nossos momentos de solidão coletiva quando todos eram obrigados a não dar nenhum "piu". O som dos grampos sempre fascinou, pois era anônimo e muitíssimo excitante. Era receber cócegas pelos ouvidos. E das professoras, adorava as rigorosas, pois essas embalavam meus sonhos eróticos. Quem nunca fantasiou sair com a professora exigente e entre beijos e apertos ouvir a maravilhosa frase, " cala boca e mexe? Quem me dera poder viver isso, mas desgraçadamente nenhuma quis sair comigo, ou por que era comprometida, ou por que não teria forças de montar em mim, pelo reumatismo já avançado naquele momento de suas vidas. Doces lembranças a embalar meu sono ainda infantil. O pior era o dia das provas. Era o clímax dos anos de chumbo. Era pau de arara escolar. Não tinha como não sofrer. Apenas os mais afortunados, com sorriso de hiena nos lábios, se encontravam felizes. Marcianos disfarçados de terráqueos. O verdadeiro ser humano sempre em dia de prova sofre, se não sofrer é desumano, ou seja, extraterrestre. A escola era nosso mundo. Umas várias vezes me apaixonei no colégio. E tracei estratégias a me levarem a grandes conquistas. Treinava em casa. Colocava uma poltrona num canto da sala, sobre ela um vestido de minha mãe e a caminhar pela casa, ficava a passar pela cadeira sem jamais olhar, mantendo o rosto para frente, sem nunca vacilar. Objetivo do treino: "dar duro". As vezes pedia a um irmão para observar se eu fazia isso naturalmente. Muitos treinos depois, já a caminhar próximo as musas escolhidas, aplicava a técnica desenvolvida. O pior foi descobrir que, o que eu fazia com muito treinamento e afinco, elas faziam com a maior naturalidade, ou seja, me ignoravam sem o menor esforço. Oh vida, oh tristeza. E entre foras e rejeições, segui meu caminho sempre apaixonado, sempre ignorado. Mas nem sempre foi assim, pois muitas vezes encontrei meu par adorado e entre olhares e conversas ao ladinho do ouvido da amada, tive relações sólidas que envolveram, desenvolveram e duraram por longos e maravilhosos 15 dias. As que eram para casamento, a última paixão antes da morte, essas pela eternidade de 2 meses reviraram completamente minha vida. Minha dificuldade com as paixões era igual a Biologia, ou seja, não prestava atenção, não me envolvia, e por consequência só tirava zero. Passar só colando. E colar, que espetáculo. Nunca, jamais, com papeizinhos ou escritas em réguas, pois isso constitui prova cabal e irrefutável. Era condenação certo. O jeito infalível é a consulta entre cochichos e furtivos olhares para a prova do vizinho, desde que ele soubesse a matéria, senão era fracasso retumbante. Certa vez confiei no colega sentado ao meu lado, mas o cara sabia menos que eu. Não tive outra alternativa, levantei do meu lugar, dei 3 petelecos na orelha dele e pedi para trocar de lugar, pois minha cadeira estava fincando na minha bunda. Sempre dava certo, pois as professoras respeitavam bundas em sofrimento.
E entre desacertos e alegrias concluímos sem nunca ter rodado, todos os anos e séries curriculares, com pouco louvor e muita diversão. Quem ficou para trás deve ter tido problema na cabeça, tipo caspa interna, pois ser aprovado era como subir num trem e deixar os vagões nos carregarem deliciosamente nessa doce e excitante viagem.
E viva as professorinhas, camaradas, exigentes, gostosas ou simplesmente amigas. E não saí com nenhuma, MAS QUE BARBARIDADE!!!!!! 
Jacob Chamis
EXTRA, EXTRA

Última semana de lançamentos:
Finalmente a paz voltará a suas caixas de mensagens.


Histórias "water with sugar" para embalar a "last week". 

30/09
A CORNETA DA BANDA

01/10
SAPATO NOVO

02/10
O THE END FINAL


Produção................................. Jacob Chamis
Direção....................................        "       "
Patrocínio................................        "       " 
Contra Regras.........................        "       "
Fotografia................................        "       "
Figurino....................................       "       "
Roteiro.....................................        "       "
Etc............................................       "       "
Que barbaridade final...............      "       "

MELHORES TRAGÉDIAS

Por esses infortúnios da vida, precisei de intervenção cirúrgica, nada tão grave, mas delicada, na boca, gengiva e dentes. Lá estava eu, Hospital Astrogildo de Azevedo, avental branco sobre o corpo, bloco cirúrgico e entre médicos e enfermeiras, o inicio de tudo com uma pequena picada de agulha dando inicio ao efeito potentíssimo da anestesia. Grandes viagens cósmicas, delírios imaginários, alucinações, mundo colorido, estrelas e luas a passar lentamente sobre minha cabeça fazendo soprar doce e morna brisa e lamber meu rosto. Pensamentos viajando até o infinito e o corpo a subir vencendo a força da gravidade a me fazer flutuar nas nuvens. Tudo a cores e em quarta dimensão. E de repente, o corpo desce, o pensamento some, as luzes desaparecem e o mais negro dos sonos a me levar para a total e completa inconsciência, lá onde o vazio é tão profundo que nada se ouve, menos se vê e desaparecem todos os movimentos, como uma parada congelante de tempo, espaço e sentidos. É tudo de nada. O maior e mais absoluto buraco negro, a analgesia, a amnésia e o bloqueio total dos movimentos. Nada existe e nada é percebido. Se assim ficássemos por décadas, nada iria mudar, pois a existência simplesmente cessa. Assim é a anestesia .O final de tudo, pelo tempo que a farmacologia determina. Somos reféns da química. Mas é uma viagem alucinógena e por essa sensação gostaria de ser operado todos os dias e viver curtindo esse "grande barato". Nem precisaria visitar a "cracolândia" e faria minhas "viagens" assistido por um competente corpo médico. E tudo correu muito bem, e no dia seguinte no colo de alguns assistentes fui levado cuidadosamente para minha casa com a orientação de repouso absoluto. Obediência cega, pois passei toda a manhã quase imóvel, nem movimentei a cabeça para lado algum. Porém isso tudo foi ficando entediante e muito cansativo. Logo após o almoço, ausência total dos genitores na casa, movimentando o corpo, levantei e andando até a janela fui verificar se o mundo lá fora queria saber de mim. E que bela visão, pois alguns amigos e irmãos estavam na casa em frente que, por estar sendo demolida, parecia cenário de guerra, coisa altamente atraente para quem o tempo todo vive em busca de aventuras. E de modo trôpego, ainda meio cambaleante, fui lentamente até a porta, sai furtivamente e me dirigi ao grupo postado junto ao muro semi demolido. Algumas perguntas sobre meu estado e a conversa se atira para outros lados. E os desafios começam a surgir, e de repente alguns já estavam a desbravar aquele mundo complexo e hipnotizante que eram os escombros a levar a túneis e labirintos. E eu sentado num canto a tudo observar. Mas paciência e controle tem limite e vencendo meus os meus próprios, fui em direção a esse mundo desconhecido a ser desnudado. No inicio, muito lentamente até que ia me saindo bem, até que ao olhar para o alto, uma pequena escadaria formada por restos de alvenaria empilhada me levaria ao mais alto posto de observação desse novo mundo. E fui. E subi. E lá cheguei. E de lá despenquei. E de lá voei diretamente sobre outra pilha de tijolos que desarrumadamente se encontravam abaixo deste posto de observações. Nem preciso dizer que a partir daí tudo escureceu e os últimos pensamentos e sensações eram de muito sangue, muita dor e muito medo. Foi gritaria geral e sem saber como novamente cheguei ao Hospital Astrogildo de Azevedo em menos de 24 horas que daí eu tinha saído. E o plantão da enfermeira que tinha se despedido de mim ainda nem tinha terminado. Ao me ver deitado, rosto ensanguentado e boca muito machucada, comentou: "Acho que conheço esse rapaz". E meus pais, não estando em casa, ainda nem sabiam do ocorrido. E a enfermeira a dizer: "Limpem ele que acho que o conheço". E bem feito, pois por tanto ter desejado nova viagem anestésica, novamente mergulhei no fantástico mundo das alucinações químicas. 
E desse hospital saí, de castigo, outra vez, com o rosto tapado de bandagens nariz fraturado, olhos inchados, algumas dezenas de pontos em volto dos supercílios e com aquela cirurgia do dia anterior também refeita. Lembro do espanto de professoras e colegas, pois com semblante tão desfigurado, demorei muito para recuperar o mesmo rosto que a algum tempo tinha me abandonado. 
E nunca mais voltei a esse querido Hospital, até o dia que eu e Asdrubal, menos conhecido por Kimura, caímos lá perto da Zona, morada frequente do Ênio, de uma moto emprestada, que furou o pneu em pleno gozo de ótima velocidade que desenvolvíamos. Mas isso é outra história.
MAS QUE COISA DE LOUCO!!!!! QUE BARBARIDADE!!!!
Jacob Chamis

sábado, 28 de setembro de 2013

DOCE VIDA

Pois vou tentar resumir o que, a pouco mais de um mês, vem ocorrendo num pedaço do sul do mundo, onde um bando de muito boa gente resolveu se redescobrir depois de décadas sem dar sinal de vida. E demonstraram ter ainda aquela bela sintonia que somente bem criadas crianças possuem. Sejam bem vindos todos de volta ao meu mundo. E segue abaixo o que imagino ser tudo isso: 
Milagrosa e maravilhosa essa confraternização virtual entre todos. Entre os que se manifestaram e os calados, todos certamente se reaproximaram e ninguém ficou fora dessa louca conversa. E como bons companheiros que sempre fomos e cúmplices por natureza, todos voltaram a diversão colegial. E os que não se pronunciaram até agora também estão nessa mui poderosa corrente. E mesmo calados estão presentes e é isso que importa, pois sem todos nada somos. Sei que eles tudo leem e sei do brilho de seus sorrisos quando alguma bobagem, brincadeira ou recordação é enviada para seus computadores. E também sei da inquieta e intensa expressão de infantil curiosidade e alegria que essa troca de mensagens produz em cada um. É como o mágico e brilhante olhar de uma ansiosa criança que apressadamente devora saboroso doce com gosto de "quero que isso nunca acabe". E que bela chance essa, que agora, nos meados de nossas existências, outra vez nos é proporcionado, pelo inesperado reencontro que parecia não mais ser possível. A vida somente não reserva surpresas para quem não mais está nela.
Volto no tempo e percebo a importância que cada um teve na formação da vida de todos. E juntos trilhamos o complexo caminho da troca das idades. E ficamos durante o tempo da escola também juntos para caminhar ano a ano na busca inconsciente e desesperada de nossa melhor formação. E todos estávamos juntos nessa. E todos presentes mesmo se achando ausentes. Até nas nossas diferenças nosso crescimento estava acontecendo e a criar fortes alicerces nosso futuro estava desde já, senão garantido, encaminhado. Todos foram fundamentais na tarefa de auxiliar a chegar onde chegamos. Alguém me levantou em algum momento quando minha força sumiu e eu fiz também isso por alguém. Nada foi muito simples, pois lapidar pessoas para que se tornem capazes é bem complicado. Prosseguir quando tudo parece falhar, buscar forças quando o mais fácil é desistir torna a jornada para atravessar a juventude cheia de labirintos e armadilhas, que sozinhos parece ser luta quase perdida. Por isso tão importantes uns para os outros. Por isso somos os nossos próprios heróis. Somos por demais especiais, pois conseguimos manter bem aceso, lá num cantinho do coração, essa maravilhosa chama que uma simples faísca fez tão facilmente tudo reascender. Fomos feitos de puro diamante que em ótimas mãos, para ser lapidado, certamente se tornaria a melhor das joias. E isso foi feito. O diamante bruto foi lapidado. E essas joias prontas ficaram maravilhosas e valiosíssimas. E estamos percebendo o quanto nos fizemos, nos fazemos e nos faremos bem. Fico a imaginar o sorriso solto de criança a dar pinotes dentro de cada mente quando, entre esquinas e cruzamentos, nos deparamos a reviver situações engraçadas ou emocionantes que convivemos juntos enquanto trilhávamos nossos caminhos. É tudo muito doido. E ainda bem que assim é, pois senão nada teria valido a pena. Saber crescer é nunca esquecer de conduzir junto a boa criança que dentro de cada um vive. E que choremos de alegria, amor e compaixão por todos que, de uma maneira ou outra, até aqui nos trouxeram. E que se faça um grande brinde. E que a alegria seja eterna suplantando a vida que não consegue ser, e nem deveria. Nosso tempo é finito, mas nossa alegria se perpetuará por toda a eternidade.
Mas que barbaridade!!!!
Jacob Chamis

RECREIOS DA VIDA

Hora do almoço, alvoroço em casa, somos muitos a procura de poucos bifes. Salada sempre sobrava, era ruim, por isso sobrava, mas as batatas fritas, essas sempre faltavam. E quem não comia tudo, não levantava da mesa até todo prato estar limpo. Triste rotina para quem tinha desejos de apenas comer o que para seu paladar fosse agradável, ou seja, tudo que não prestava. E o argumento era que, se tudo comesse, saúde, inteligência e disposição para estudar teria. Mas se eu não queria disposição para o estudo deveria ser dispensado do sacrifício. Mas esses argumentos nunca convenceram ninguém e a sofrer, tínhamos de tudo de ruim comer.
Levantar da mesa, escovar os dentes, pentear os cabelos não precisava e colocar o velho e bom companheiro uniforme escolar e ir para a aula. E isso certamente deveria ser considerado trabalho escravo infantil, pois com tanta coisa para ser feita pela rua, qual a graça passar uma tarde inteira a engolir textos e fórmulas esdrúxulas que naquele momento não eram nada divertidos.
Mas tudo o que é ruim não dura para sempre e a se aproximar lentamente para tanta alegria trazer, o bom e querido recreio, como uma dádiva divina, chegava para minha grande alegria. E com que prazer ouvir o ruído da sineta, imediatamente fechar livros e cadernos abertos apenas para cumprir seu papel coadjuvante sobre a classe, levantar apressadamente, e em direção ao pátio, deslizar feito pássaro ligeiro num livre voo sobre largos corredores e escadarias. E realmente era voo, pois do degrau mais alto, um salto acrobático sobre quem já alcançara degraus mais baixos. E era tanta felicidade que uma dorzinha na “cacunda” nem era levado em conta. E entre abraços e empurrões as portas escancaradas conduziam quem apressadamente o paraíso buscava. E entre risadas, conversas e cochichos, o tempo desgraçadamente, infelizmente e por pura injustiça, voava. Entre belas musas, gordas lindas e feias charmosas, a vida do recreio ia sempre transcorrendo como se fosse o último grande momento de nossas vidas. E com uma desproporcional intensidade gozávamos daqueles momentos a nos perguntar se a vida fazia sentido fora do recreio. O final dele, o retorno a sala de aula, o último olhar disfarçadamente dado a quem tanto se queria, a cumplicidade do último assunto, fazia desse momento uma mistura de angustia e ansiedade, que por instantes a vida se curvava parecendo despencar em profundo precipício. E voltar a sala, amarga agonia que somente sumia quando, como em cartola mágica, a velha e conhecida sineta jogava, outra vez, todos para fora do quadrilátero prisional, vulgo sala de aula. Mas o recreio e suas lembranças durante os últimos períodos suplantava a dor. E lembro de uma singela passagem. Atrás do pavilhão, junto aos bebedouros existiam vários bancos, de madeira, sem encostos, que serviam de oásis de transição entre o maravilhoso pátio e o pavoroso conjunto de anexos. E ali ficávamos como a cumprir pequena quarentena para, sem muito grande choque, seguirmos, já atrasados, em direção as aulas no andar inferior do inferno, os ditos anexos. E assim era diariamente, todos sentados e eu numa corrida desenfreada, saltava a derrubar quem quer que ali estivesse sentado, como num bom jogo de boliche. E foram vários strickes. E muito “cascudo” levei, e mais ainda fui “bolinado” por esse desaforo e traquinagem contra nobres colegas. E eu nunca desistia. As vezes deixava passar alguns dias, para esquecimento dos otários e sem prévio aviso, lá estava eu a dar saltos cada vez mais acrobáticos, do tipo “Salto Triplo Carpada. E mais cascudo, e mais tudo. E um dia, maldito dia, pensei que novamente a todos enganaria. Por detrás de um daqueles enormes eucaliptos, surgi feito uma flecha e saltei. Corpo erguido, mãos para frente, cabeça ereta e membros inferiores esticados. Mas desgraçadamente todos eles levantaram e eu mais desgraçadamente ainda cai feito saco de estopa, daqueles cheio de arroz, espatifado sobre a dura madeira daqueles agora infelizes bancos. A dor era tanta que comparada com a do parto natural de trigêmeos saindo no mesmo instante era brincadeira de roda. Minha cabeça rodou sobre a terra, parecendo que o mundo sobre ela desabou. Meus braços ficaram todo arranhados. Minhas pernas com grandes hematomas. Mas nada comparado as bolinhas. Essas sim muito mais que tudo sofreram e foi tamanha destruição que um galo surgiu entre elas fazendo parecer que eram três. Amarga vingança para tão inocente brincadeira desses inescrupulosos falsos amigos. Por remorso fui carregado carinhosamente até minha sala e levado em padiola humana até minha casa para durante bom tempo entre gelos, mertiolates e curativos tentar voltar a vida e poder dar alguma risada de tamanha dor que essa aventura causou.
MAS QUE BARBARIDADE!!!! MAS QUE SOFRIMENTO!!!! E viva Tiradentes, que não sofreu com eu sofri.
Jacob Chamis

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Hoje completa outro mês da nada distante data da maior tragédia que sobre todos se abateu. Um horroroso acontecimento do tamanho do mundo, pois algo assim pertence ao universo e não apenas a um determinado lugar do mapa. Aí apenas o fato, para a humanidade o acontecimento. Aí a dor, para o mundo a consternação. E como dói, e nunca vai passar.Então como viver com tamanho fardo? Para quem está longe, o choque, a incredulidade. Para quem está perto a consternação, a revolta. Mas para quem perdeu parte de si, perdeu alguém querido, a dor alucinante, a perda do chão, o fim da paz. Resta para quem perdeu a única alternativa de prosseguir. Como continuar? De onde reunir forças para seguir em frente? Por que isso aconteceu?
Onde procurar culpados? São pessoas ou instituições? A convicção de que nunca nada irá acontecer, nos leva a indecente conclusão que uma pequena vantagem aqui ou uma solução rápida ali é o melhor caminho. Somos todos verdadeiros tolos irresponsáveis e desonestos, pois o bem coletivo está em plano inferior aos direitos individuais. E infelizmente, lastimosamente, quem pagou o preço por gigantesco ato criminoso, foram os que desgraçadamente perderam seus muitíssimo queridos filhos, irmãos ou amigos. E a inversão da ordem natural do desaparecimento quando ocorre se torna insustentável, incompreensível. Que todos tenham para sempre em seus pensamentos, por amor, saudade ou apenas respeito, a consciência da força e sacrifício que cada um, que alguém aí perdeu, carrega dentro de si, sem nunca, em momento algum, ter um segundo de sossego. O simples olhar, o mais apertado abraço, o mais saboroso dos beijos, em seus filhos, seus irmãos, seus amigos ou namorados, nunca, nunca mais, para os que perderam, acontecerá. São pessoas que terão, obrigatoriamente, de todos nós o mais profundo respeito e admiração por serem tão fortes ao conviver com inescrupulosa dor. Não tentem sequer imaginar o tamanho dessa dor, causada por essa ausência, pois somos incapazes de elaborar em nossos corações tal sofrimento. A distancia advinda do tempo a passar, o transcorrer dos intermináveis dias, tomara, fará o desespero se transformar em saudade e esta no maior, mais profundo e mais puro tipo de amor. Dessas lembranças a reconstrução de um novo tipo de vida. O que hoje paralisa e torna o desespero alucinante um dia terá de se transformar em outra coisa. Dessa louca saudade e desse grande amor, as doces lembranças a se perpetuarem servirão de combustível para essa  eterna chama que nunca, em tempo alguma, se apagará. Enquanto isso não ocorrer, admirar, respeitar e ter compaixão, é o que resta dar a quem alucinadamente esse tortuoso e dilacerante caminho está involuntária e obrigatoriamente percorrendo. Santa Maria, hoje mundialmente conhecida, paga um preço inaceitável por tamanha fama. E não somos merecedores disso. E ninguém nunca será. E o mais profundo sentimentos de solidariedade se faz necessário. E a dor pra sempre permanecerá, e a se perpetuar a mais brutal das constatações, de que isso poderia ser evitado. Profundos pesares Santa Maria, pois não és merecedora de tamanha tragédia.
Jacob Chamis

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

“Pedaços de Santa Maria”

“Pedaços de Santa Maria”, construção da trilogia que, sem maiores pretensões, por brincadeira, rabisca traços de nossa cidade.
Muito obrigado pela paciência dispensada a esses esboços que por objetivo tiveram a distração, deboche e entretenimento.
Mil desculpas por enveredar pelos caminhos sem nenhuma competência, mas pela saudade imagino merecer mil abraços.
Que assim seja, e boa leitura a quem conseguir.  

1. Vento Norte
2. Naquela Estação
3. Ruas sem Rumo

Ruas Sem Rumo (As Ruas de Santa Maria)
Como águas agitadas de um rio longo e tortuoso, que entre escarpas e montanha correm a criar atalhos e imprevisíveis caminhos, as Ruas de Santa Maria se projetam aos mais remotos pontos, sem se importar com formas e traçados apenas para, nas mais distantes paragens, ao seu destino chegar. Simples, claro e sem cerimônia, vão passando por todos os lugares tentando aproximar quem de quem longe estiver. E quem a elas seu destino confia, se enche de poesia e graça, arrancando toda a magia enquanto por ela passa, depois que por ela cruza. Uma cidade com alma sua geografia escolhe, não aceita ser projetada, simplesmente quer ser desenhada. E essas ruas, entre riscos e rabiscos despretensiosos, na tela de algum inspirado artista, em linhas de pura leveza, vão de traço em traço, completando sua obra, surpreendendo pelos contornos e apaixonando pela forma . E do jeito tal qual o artista imaginou, seguem sem rumo definido cortando a cidade, perdendo-se pelos caminhos, subindo e descendo, dobrando para lá e cá, de um lado ou outro, a brincar feito crianças num imenso parque de diversões. Descem sem parar, sobem até cansar, tornam a subir, descem para viver e sobem até morrer. Tudo feito com loucura e delírio criando a sensação de serem coração e alma desse sentimental artista. Todos vivemos essas emoções, todos somos essas sensações. Em Santa Maria, as ruas não levam gente de um canto a outro, carregam emoções, transportam desejos e como se procurassem segredos, entorpecem todos quem com elas ousam se envolver. E a olhar para seu mapa percebo que em curvas côncavas ou subidas convexas, sempre sinuosas, essas ruas percorrem, sem rumo, todos os caminhos que melhor lhes convier. E por teimosas que são nunca tem direção, pois quando retas não são planas, quando planas sempre em curvas, quando vão nunca voltam e quando voltam nunca chegam e girando em curvas verticais, muitas vezes dobram, quando lá no fim do caminho, não encontram rumo, não tem como voltar. E o frio que dá na barriga e sobe pela coluna, quando a alma alcança, sem que o fôlego tenha recuperado, num quase frenesi descompassado de ritmos alucinantes, para no final da descida alcançar, buscando com trôpega ansiedade mesmas emoções sentir, quando ao topo de outra subida, noutra descida cair. E nesse sobe e desce, a experimentar gozos e alucinações, todos que nelas passam sentem o ar aprisionado, pois com o fôlego trancado a respiração deixa de existir. E por serem encantadas criam encontros que despertam paixões, tornam visíveis olhares que trazem amores e estampam cores que curam melancolias e por ardentes e fogosas, penetram em todas as moradas como se delas fizessem parte, pois quem a essas ruas se lança, quando em outras moradas adentra, nem conta se dá que pelas ruas atravessou para chegar tão distante, como se de sua casa nunca tivesse saído.  Armazenam essas ruas, durante a noite, como se fotossínteses realizassem, desejos ardentes, paixões desenfreadas e ânsias de amor que de tanto se dar, durante o dia, exauridas e sedentas a noite recuperam para no dia seguinte, outra vez, a todos seu tudo, de novo entregar. Lindos lugares escondem em segredo, a esperar de quem, com ardência, deseje seus mistérios desvendar. A cor emoldurada em seu verde horizonte a olhar as montanhas ao fundo, ou do alaranjado do por do sol virando para o outro lado nos faz imaginar que todas as tonalidades e brilhos, de tanto encantamento,  para esse lugar foram morar e nunca mais embora quiseram ir. Sempre que por essas ruas passo, algo diferente e secreto explode de tanto encantar, pois meu coração parece estancar como a cristalizar por momentos, por tudo que sempre lembro, pelas crianças que sempre passam, a correr por meu passado, em  toda e qualquer esquina que esse espetáculo descortina, nas coisas que se eternizam para sempre em meu olhar. As Ruas de Santa Maria, que esta paixão contamine. Que esse amor se complete. Que esta alucinação desabroche. Espetáculo impar que por si só há de se realizar.
 Jacob Chamis

Entrada na festa

Ibihuhuia!!!!!!!

Depois de vasculhar muitos baús garanti minha entrada na festa!!!!!!!!
Até dia 05!!!!!!
 


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

ALTOS MORROS

Na anterior passagem indiquei um lugar no final da subida da serra e a percorrer esses caminhos sentia meu corpo e mente serem transportados a mundos diferentes sem que eu pudesse estabelecer coerência e compreensão desses sentimentos. E vou pedir licença para tentar, com muito esforço de escrevedor leigo, transmitir o que se passava. E era mais ou menos desse jeito:
E lá de cima percorrendo caminhos estreitos e perigosos encravados nos pontos mais altos daqueles morros, logo após uma determinada entrada, uma estradinha costeadas de altas árvores de um lado e penhascos de outro, entre curvas e subidas me leva a vislumbrar paisagens dignas de grandes cartões como se para outro longínquos lugares, bem distante dali, meu corpo tivesse sido levado. Um pouco mais perto do céu onde a percepção nos leva a viagens de poesias e alucinações, olhando ao redor ouso dizer que somos apenas moléculas emocionais em expansão. E a colocar o coração perto das nuvens e estrelas, entre delírios e alucinações, o pensamento quase anula quando o olhar se joga lá do alto despencando a procura da fim do horizonte esparramado bem na linha inferior que se forma naquela iluminada paisagem. E era nesse local tão solitário e distante, cercado de maravilhosas árvores, pedras e penhascos, que se podia sentir o corpo ser arrancado do solo firme e a flutuar sem rumo, ser jogado como se uma pena fosse, em direção a um grande e vazio infinito dando a nítida sensação de ser o voo de um livre pássaro que finalmente estava por iniciar. E são eles, esses morros,  o que de mais importante eu acreditava existir naquelas paragens. E para a cidade valor imensurável, pois num relevo de beleza impar, fazem parecer estruturas de tobogãs e montanhas-russas a nos deixar sonhar como se estivéssemos em local muito longe dali e, também lá de cima, a olhar para outro extremo apenas planícies enxergar, como se a vista fosse deslizar serenamente a atingir a linha do horizonte. Local privilegiado de cima desses morros. Vista sem igual parecendo se mostrar a outros ângulos que não pareciam pertencer a paisagens do cotidiano, pois sentado no topo daquelas ondulações, onde eu ficava antes de retornar, se descortinava de um lado a imensidão da Serra Geral a perder de vista, como uma enorme cordilheira a nos remeter a paisagens inimagináveis e impenetráveis parecendo território selvagem a ser desbravado. Para baixo, a vista virar e perceber num olhar, tão bela cidade, a pulsar ainda em crescimento, buscando encontrar a si mesma, cheia de desníveis, mostrando seus novos edifícios e ruas que vistas lá de cima pareciam maiores que seus próprios tamanhos, como se assim almejasse, para impressionar com sua grande imponência de cidade do interior, mostrar seu desejo de se tornar metrópole. Mais acima a vista alcançava para ao final do dia, com o sol quase tocar o chão, um plano de campos limpos de puras pastagens a tocar a vida do gado, que por ser assim jamais imaginar ser observados de tanta distancia de tão alto lugar. Vistos da cidade esses morros se parecem com enorme onda como a procurar uma praia e cair em um imaginária rebentação como se fosse o calçadão uma praia de tanta areia, aguardando para depois de tão longe avançar, num breve relance, suas águas recuar. Olhando dali para eles, parecem imagem de um mar prestes a rebentar nesse calçadão que, como uma pintura congelada, e pelo tempo passado não mais ter ficado amarelado e sim com a cor forte pulsante de sua densa vegetação. De onde se olhar, em qualquer lugar da cidade ninguém a esses morros pode ignorar por tamanho e excelência de sua cor e imponência, sem nunca por nada temer e sempre e por todo sempre parado, aí permanecer. Lindos, fortes, gigantes e marcantes paredes que a todos impressiona que de ninguém se amedronta, marca registrada dessa cidade que, de tanto por eles protegida, no seu nome deveria ao menos constar para, de novo, em registro para sempre se apresentar como Santa Maria da Boca do Monte. E que assim sempre permaneça.
Jacob Chamis, final de segunda feira, 24/09. 

Eu sei de onde veio a Força

Pessoal, como o plantão na Maternidade está calmo hoje, e com a licença de vocês todos e de nosso Presidente Jacob, aproveitei para escrever umas linhas. (Que barbaridade!!!)
Eu sei de onde veio a Força
Gostaria de voltar ao assunto sobre a Força, descrita pela Chris e chamada de Mágica pelo Jacob, e que esta causando tudo isto que estamos vivendo.
Esta Força estava adormecida dentro de cada um e despertou com a noticia deste reencontro.
Devo confessar que, quando a recebi, me causou um impacto e uma surpresa muito grandes.
E, pelas manifestações que tivemos até agora percebo que este impacto atingiu a todos, mesmo os que estão somente observando, pois da para ver o brilho dos olhos de cada um, que vem junto com as mensagens recebidas.
Sente-se uma energia em cada texto (leia-se Jacob) e comentários que recebemos em nossa caixa de emails.
Jamais imaginei que um dia fosse ter a oportunidade de rever tantos colegas dos tempos do colégio, exceto aqueles mais próximos e que eventualmente encontramos por nossas andanças.
E, entre estes, gostaria de destacar um deles, que conheci durante o curso ginasial no Maria Rocha e convivi durante toda a adolescência e período da faculdade, como amigo e integrante da “Turma da área”, que se reunia quase que diariamente na minha casa, depois do almoço. Além disto, era meu vizinho de rua.
Estou falando do meu grande amigo Enio.
Aprontamos algumas nos tempos do colégio, como uma vez que fugimos pelo Olavinho, para matar aulas e andar de carrinhos na Praça Saturnino de Brito. Fomos vistos pela assistente, acho que era a Cyrillinha, durante a fuga e depois flagrados pelo meu pai e minha mãe que passaram pela praça na mesma hora. Quem será que era o pé frio? Nos escondemos atrás de uma arvore para não sermos vistos, mas o fato veio à tona quando chegou o aviso da suspensão de três dias. Foi assim que meus pais souberam do meu novo amigo do colégio. A partir disto nasceu uma grande amizade entre nos dois e nossas famílias, que dura até hoje.
Por isto, conhecendo o Enio como eu conheço, não tenho duvidas em dizer que ele é o principal responsável por isto tudo estar acontecendo. Foi ele quem libertou esta Força, e que se tornou Magica.
O Enio é um grande amigo de todos, um agregador, que gosta muito de reunir as pessoas ao seu redor. Além disto, faz questão de preservar as historia e estórias de vida, suas e de seus amigos. Sempre foi assim, e continua sendo. Basta ver seus esforços para reunir o maior numero possível desta turma toda.
Eu tenho certeza, que esta Força estava guardada com muita intensidade com ele e que, com a sua iniciativa de convidar a todos para este Encontro da AMAR, desencadeou esta doce loucura, na qual parecemos uns adolescentes, abrindo nossos corações para contar todas estas estórias e expressar estes sentimentos manifestados até agora.
Por isto, eu peço uma salva de palmas ao Enio, e que ele continue sendo assim sempre!!!
Beijo Enio!!!
LMB

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A fórmula de Bhaskara

Luiz Maurício e demais colegas.
Após teu desafio, e como não posso sestiar nesta tarde chuvosa e não tenho o talento do Presidente, vou tentar escrever sobre algo que lembrei depois da crônica da Chris.
É um fato também ocorrido, talvez no 2º ano do ginásio, mas também não tenho certeza. Então vamos lá e os erros estão aí para serem corrigidos pelos colegas.

A fórmula de Bhaskara
Como todos, hoje sabemos, a equação quadrática ou também conhecida como equação do 2º grau teve sua solução "descoberta" pelo matemático Bhaskara.
Mas voltemos ao fato.
Nossa professora de matemática era a D. Cleci Borin, grande professora, mas também uma fera, e foi ela que nos ensinou como chegar à solução da equação do 2º grau.
Após algumas aulas com exercícios foi marcado uma prova, que logicamente seria sobre a tal fórmula. Nossas classes, nos anexos, não eram de fórmica, eram de madeira e todos nós, sempre que tínhamos alguma dificuldade para alguma prova, costumávamos escrever breves "lembretes" nas classes, (como diz o Presidente "que barbaridade" mas como isso nos dava confiança).
Pois bem, no dia da prova nossa Mestra entra em aula e começa a distribuir as provas e verifica, com toda sua experiência, que algumas classes tinham os tais "lembretes".
Sua primeira providência foi determinar que a fileira da janela passasse para a segunda fileira e assim sucessivamente para a seguinte e que a da porta fosse para a da janela.
Após esta arrumação, voltou a entregar as provas e, então, constatou que a troca de lugares não surtiria o efeito desejado, que aqueles que tinham colocado os lembretes fossem punidos e ficassem sem eles para a solução dos exercícios propostos. Na verdade, era grande a quantidade de classes premiadas, para não dizer todas.
Buenas, neste momento, recolheu as provas, saiu da sala e após breve tempo retornou e comunicou a todos:
- Falei com a Diretora e a prova está suspensa!!! Amanhã todos devem trazer de casa lixa e verniz e avisar aos seus pais que ficarão um tempo a mais na escola, após o término do período regular. Todos vocês, que colocaram estes lembretes, deverão lixar suas classes e envernizá-las para aprenderem duas coisas:
1 - não estragar o material escolar e
2 - não colarem.
E assim, fizemos, nossas classes ficaram branquinhas e reluzentes como novas e adeus lembretes!!!!! Nesta matéria e em todas as outras.
Bons tempos, boas lições!
Aldo Grassi

Paisagem Suína

Lembro daquela Rural, ano 1966, chamada carinhosamente de Gertrudes a subir os morros que circundavam Santa Maria. Meu pai possuía um pedaço enorme de terra no topo daquelas elevações. Era uma propriedade impar, casa bonita, área de lazer e criação de animais. Minha tarefa era alimentar os animais, ou seja, levar ração e restos de comida para os porcos. Seis lindos porcos, guardiões de nossa fazenda, evitando com isto invasões e apropriações por usucapião de vândalos e aproveitadores. A casa não era muito grande, pois com única peça, de dimensões modestas, do tipo 15 palmos por 11 palmos, de criança, impedia o veraneio de toda a família ao mesmo tempo, em períodos de férias. E nessa tarefa a solidão não me acompanhava, pois a sair do Maria Rocha e logo após o almoço fiéis companheiros ajudavam no carregamento do nobre veículo, e a subir a serra pela antiga estrada (o Perau), com exuberante vista e assunto posto em dia, seguíamos honrosamente a tentar cumprir nobre tarefa. Certa ocasião, alguém tentou alimentar um bichano mais retirado e arredio dando o alimento direto em sua boca. Tarefa considerado desafio todos nessa empreitada se envolveram. Mas o coitado do porco não queria colaborar e como criança mimada, se recusava a ingerir o alimento. Com coragem e ousadia alguém atirou-se contra o porco e foi seguido por outros que assim como o primeiro mergulharam de corpo e alma dentro do chiqueiro. Já que o porco queria guerra, todos se jogaram para dentro dos aposentos do suíno. E foi uma gritaria e algazarra e muita merda para todos os lados. Muitas merdas depois, ou melhor, muitas horas depois, quando já exaustos homens e porco, todos abraçados, porco e homens pudemos descansar em tão nobre local. E a descida, não poderia ser menos vexatória, pois quando paramos no Castelinho, quase na entrada da cidade, tivemos dificuldade de ser atendido pois o cheiro era tão insuportável que ninguém queria se aproximar da querida Gertrudes. O fedor era alucinante que em várias sinaleiras outros automóveis avançavam o sinal por não suportar ficar ao nosso lado aguardando a cor verde para o avanço. Alguém sugeriu que fechássemos os vidros e pensamos ser a aquilo o cheiro da morte tamanho o enjoo e tontura que nos causou. Fomos direto a um posto de lavagem automática e sentados no capô e teto da camionete, pedimos uma lavagem completa de carro e gente. Em casa chegamos feito pinto molhado, parecendo o Dick Vigarista e sua turma por cabelo escorrido e roupa encharcada. Mas o cheiro finalmente havia nos abandonado ou já estávamos acostumando. Até hoje carrego está dúvida, pois num sábado seguinte, ao comparecer num baile, ainda tinha por entre os cabelos mechas e fios dum castanho mais claro um pouco diferente de minhas cores originais. Mas que barbaridade e que espetáculo. E viva o 20 de setembro e abaixo o Combate do Ponche Verde. Alas frescas.

Jacob Chamis, e era isso numa 2ª feira com chuva.

sábado, 21 de setembro de 2013

Retomando as escavações no baú de trecos que estava perdido no porão lá de casa, encontrei fotos de velhos amigos do peito, de amizades indissolúveis,  que espero reencontrar no dia cinco. 
 Claudio Weissheimer Roth

 
 
 
 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

20 se Setembro


Meus prezados,

Em anexo um "chiste", com muitas verdades - apreciem!
No Brasil, somente o Rio Grande amado faz feriado em homenagem ao seu povo!
É um dos motivos que me orgulho de ser gaúcho, MAIS DO QUE SER BRASILEIRO!
UM ABRAÇO BEM CHINCHADO A TODOS!
NÃO NOS AFROUXEMO! ESTE ESTADO AINDA É UM DOS ESTEIOS DESTE PAÍS!
SAUDAÇÕES FARROUPILHAS!
Abs
Gerry F. Corino


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

RITMOS ALUCIANTES - FLASH MOB 19/09

Nota do autor
Com a lúcida intervenção do brilhante Sr. Aldo Luis Grassi, e lembrança de Enio Mac krum, surge do ocaso de minhas lembranças essa linda e harmoniosa história.
Graciosas cenas em tomadas externas em 2D transversal ( moderna técnica da época). E que maravilha, pois pipocam de todos os cantos história espetaculares. 
A vida em movimento segue ritmos trazidos desde nossa mais primordial morada, o útero materno. Ainda em seu interior, balançando no ritmo das batidas do coração de quem tão dedicadamente nos carrega, a vida dá seu iniciais movimentos antes mesmo de seus primeiros passos. E a crescer, é neles, balanços e movimentos ritmados ao som de músicas reais ou imaginárias, que nos inspiramos a buscar oportunidades de aproximação com nossos iguais contrários, para, conquistando e seduzindo nunca mais nos afastarmos de doces e harmônicos sons. E assim fomos crescendo, buscando movimentos e ritmos que encantam ou enlouquecem sensíveis ouvidos alheios. Lembro de ganhar tambores para criar e emitir sons estridentes, sem ritmos, muito desafinados além de horrorosos, altos e insuportáveis. As vezes era obrigado, em reuniões familiares, acompanhar e ouvir meus irmãos ensaiarem seus sons e barulhos com seus imprestáveis instrumentos musicais. Certamente era preferível ser submetidos a castigos e escravidão familiar a ter de suportar tais ensaios. E sei que em todos os lares assim também era. E fomos crescendo, feito rebanho, nós todos, do mesmo modo, com as mesmas coisas e destinos parecidos. E a musica a nos acompanhar. Lembro de participar de serenatas e voltar para casa triste e rico. Tristeza pela namorada não conquistada por falta de qualidade musical. Rico pelo pagamento ofertado pelos vizinhos da amada que, ao se cotizarem, pagavam para o imediato encerramento de tão desafinada declaração musical de amor. E sempre cantarolando, continuamos crescendo procurando levar uma vida bela e sonora com músicas a encher corações e mentes, com lindas declarações de amor ao lado do ouvido sempre embaladas por lindas e românticas canções. Tudo era maravilhoso desde que o papel de cantante fosse por outro exercido. A vida continua, a escola continua, amigos viram colegas, colegas viram companheiros e companheiros viram irmãos. E sempre ela, a música, a traçar destinos e rabiscar relações. Então vem a Banda e a musicalidade entre corpo a dentro vai se alojar lá no fundo de nossos corações. E a cantarolar os dias dançam sob nossos pés e a vida passa para dimensões nunca imaginadas. A marchar ou dançar, nossos ritmos invadem casas, repartições, lojas, consultórios, salões e salas de aulas. Não tem como interromper esse fluxo de sangue dançando em nossas veias. E tudo aconteceu. E foi assim, bem desse modo que tudo ocorreu. E foi num despretensioso dia, em improvável improviso, que tudo se realizou. Como alucinados, cantarolando e balançando seguindo tons e sons imaginários, todo o pátio, do Oiapoque do muro da Niederauer ao Chui do lado do pavilhão, feito o balé de Michael Jackson na música Thriller, todos com pés se arrastando e corpos se balançando avançam num mesmo compasso em direção ao centro geográfico do pátio. E miraculosamente nada se afasta do ritmo e harmonia. Vista em filmagem aérea possivelmente naquele exato momento, o Clip da música do Sr. Jackson teve como inspiração nossos belos movimentos. E foi lindo, todos em ritmos, balanços e movimentos, em compasso mágico a marchar, se aproximam perigosamente da porta principal de acesso aos corredores que levam todos a sala de aula. E como parar? Não podemos parar. E como uma onda fora de controle, sem vacilo algum, a imensidão de movimentos e batidas invade tudo o que surge pela frente sem que se tenha perdido sua controlada majestade. Em uníssono, vários tons produzidos por tantas pessoas ao mesmo tempo pareciam enlouquecer e paralisar quem a tudo assistia. E a batida alucinada da sineta e os estridentes gritos do corpo repressor da escola pareceu acordar todos de tão lindo sonho. Quem comandou, quem participou, quem fugiu, isso não importa. O que realmente interessa foi o revolucionário espetáculo de luzes imaginárias e sons reais que entrada tão triunfal produziu. Parece que naquela noite todos, inclusive as repressoras, adormeceram com sorriso nos lábios, lindos sons no coração e com seus pezinhos a balançar em suaves movimentos ritmados para fora dos lençóis, lá no final de suas aconchegantes camas. Dizem também que o entusiasmo do público do lado de fora dos portões foi tão grande que alguém, vindo dos estúdios da TV Imembuí entrou em contato com Hollywood dizendo ter sido inventado, numa tal escola chamada Maria Rocha, um movimento alucinante que a todos contagia, hoje conhecido como FlashMob, ( movimentos instantâneos de pessoas, parecendo combinado), que na época foi originalmente batizado de “ Te Sacode Vivente”. Que espetáculo. Que gineteada. Mas que barbaridade!!!!
Jacob Chamis